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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

São Paulo pode acabar de vez com cobrança de ponto extra na TV paga

São Paulo pode acabar de vez com cobrança de ponto extra na TV paga

Consumidores de TV por assinatura de todo o Estado de São Paulo podem finalmente ficar livres da cobrança de ponto extra a partir de fevereiro. 




Aprovado na Assembleia Legislativa em dezembro do ano passado, o PL (projeto de lei) nº 844/2017 visa a penalizar as operadoras que continuarem a cobrar pelo ponto adicional. Para começar a valer, a norma paulista depende agora da sanção do governador Geraldo Alckmin. 

Com o objetivo de assegurar os direitos dos consumidores, o Idec enviou uma carta ontem (31) ao governador posicionando-se a favor do projeto.

A cobrança pelo ponto extra é proibida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) desde 2012, mas continuou ocorrendo. O PL paulista pretende dar efetividade à regra. Além de prever sanção em caso de descumprimento, estipula que, caso a empresa não consiga disponibilizar o sinal para um aparelho decodificador universal - que pode ser usado por qualquer empresa -, que a operadora forneça o equipamento ao usuário sem custo adicional.

“O projeto traz muitos benefícios. Além de avançar na promoção da liberdade do usuário, prevê punições que incentivam a livre utilização dos decodificadores universais”, comenta  Rafael Zanatta, pesquisador e advogado em telecomunicações do Instituto.

Idas e vindas do ponto extra

Rafael Zanatta explica que o impasse sobre ponto extra não é novo. Desde 2007, a Anatel vêm discutindo o assunto, mas só em 2012 permitiu que o consumidor tivesse seu próprio decodificador ou o “alugasse” da operadora. 

A polêmica chegou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2017 por meio do Recurso Especial nº 1.449.289/RS. O tribunal julgou lícita a cobrança de aluguel dos decodificadores e negou o pedido de restituição em dobro por cobranças feitas no passado.

Segundo o pesquisador, a regra da Anatel foi desenhada para evitar a prática de venda casada, que induziria o consumidor a utilizar exclusivamente o aparelho da empresa, estimulando a liberdade de escolha do usuário. No entanto, as operadoras encontraram brechas na resolução e continuaram impedindo que o usuário detivesse seu próprio decodificador.

“As empresas de TV por assinatura passaram a afirmar que, por motivos técnicos, seu sinal era incompatível com aparelhos universais, e os consumidores eram compelidos a adquiri-los”, aponta Zanatta.

As regras criadas em São Paulo têm como objetivo descentralizar essa oferta e dar mais opções aos consumidores. O governador Geraldo Alckmin tem até 2 de fevereiro para se manifestar sobre o projeto. Caso não se posicione, a norma passa a valer em todo o estado.